CPMI do INSS: relator afirma que dinheiro da corrupção favorece o crime organizado

Em entrevista coletiva, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, afirmou que as associações ligadas à Previdência Social adotaram um modelo para lavar capitais e que, nesse contexto, ninguém pode ser protegido.

27 de novembro de 2025

O contador apontado como operador central de um esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) detalhou, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) nesta quinta-feira (27), em Brasília, os métodos utilizados para efetuar repasses indevidos de benefícios. Durante a sessão no Congresso Nacional, ele explicou como a estrutura criminosa se aproveitava de vulnerabilidades nos sistemas de controle da autarquia para direcionar recursos de forma ilegal, em uma operação que teria se estendido por vários anos e envolvido uma rede de intermediários para movimentar os valores obtidos ilicitamente.

A oitiva concentrou-se em entender a mecânica por trás das fraudes, que, segundo o depoente, exploravam principalmente a falta de integração entre diferentes bases de dados governamentais. A ausência de checagens automáticas permitia a continuidade de pagamentos que deveriam ter sido cessados.

As principais modalidades de fraude descritas pelo contador durante o depoimento incluíam:

* Criação de cadastros de beneficiários fictícios com dados falsificados.
* Reativação de benefícios de segurados já falecidos, cujos óbitos não haviam sido processados pelo sistema.
* Manipulação de perícias e laudos para aprovar auxílios sem a devida comprovação.

O funcionamento do esquema

O depoente afirmou que o esquema dependia da inserção de informações falsas diretamente no sistema do INSS, um processo que era facilitado por senhas de acesso obtidas de maneira irregular. Ele descreveu um passo a passo que começava com a identificação de brechas, como registros desatualizados, e terminava com a transferência dos valores para contas bancárias de laranjas. A partir daí, o dinheiro era sacado e distribuído entre os membros do grupo, dificultando o rastreamento pelas autoridades financeiras. A operação era planejada para realizar desvios em pequenos montantes por benefício, evitando assim a ativação de alertas de segurança mais robustos, que geralmente monitoram transações de grande volume.

Reação dos parlamentares presentes

A exposição gerou reações imediatas entre os membros da comissão. O relator da CPMI questionou o depoente sobre a possível participação de servidores públicos no esquema, buscando identificar se havia uma rede de corrupção interna que fornecia suporte às atividades.

Outros parlamentares focaram suas perguntas na sofisticação técnica da fraude, indagando sobre o nível de conhecimento necessário para explorar as falhas sistêmicas mencionadas. A sessão foi marcada por momentos de tensão, com senadores e deputados pressionando por nomes e detalhes adicionais.

Ao final da primeira parte do depoimento, o presidente da comissão afirmou que as informações apresentadas reforçam a necessidade de uma revisão completa dos protocolos de segurança digital da Previdência Social.

Falhas de segurança e controle

O contador apontou que a principal vulnerabilidade era a defasagem tecnológica dos sistemas utilizados pelo órgão.